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A forma da casa comum de duas águas foi transformada para criar uma moldura para a natureza. Ao se tornar um espaço incomum, a casa adquire um caráter de escapismo, tornando-se um refúgio da rotina. A moldura para o exterior distancia o morador da natureza, a fim de explicitar a divisão público-privado. A casca se inclina e afunila a vista da sala para o rio, criando uma perspectiva curiosa e servindo de varanda. O concreto com marcas de forma aparentes mostra o trabalho manual realizado na construção da casa, e as paredes de alvenaria comum são pintadas de laranja. A casca também tem função estrutural, servindo como uma laje-viga e portando sozinha a casa. O concreto foi deixado aparente dentro da casa, afim de criar um ambiente neutro, um canvas para o morador pintar com suas memórias e lembranças. As aberturas da casa são grandes, permitindo uma boa iluminação e ventilação, e, apesar disso, não contrapõe a filosofia existencialista, pois o afastamento da natureza acontece através da casca de concreto. A casa se posiciona num ponto médio do terreno, e conflita o terreno deixando claro seu distanciamento, porém sem alterar o perfil natural, demonstrando respeito. A distância tanto da entrada quanto do córrego leva o morador a passear pelo terreno, aproveitando a sua localização. A casa oferece a introspecção exigida por refúgio existencialista, mas conta com grandes aberturas, e sua nudez em termos materiais será modificada de acordo com o usuário, respeitando sua memória.