< >

A cidadania se exerce na rua, nas praças, nos espaços de convívio e interação. Uma cidade viva é uma cidade em que cada habitante respeita e se orgulha do lugar onde mora. Os curitibanos têm uma longa história de amor com sua Curitiba, construída pela mistura de gente, pelas discussões regadas a café em suas ruas de flores, de passeios de pedalinho em dias quentes ou um filme nos dias frios. A diversidade é seu maior patrimônio. Mas muros e grades aprisionaram os curitibanos. Nas últimas décadas, a arquitetura e o urbanismo foram utilizados para isolar e dividir a cidade, ignorando a rua, os parques e seus moradores. Nós, arquitetos, devemos assumir nossa responsabilidade e virar o jogo! A partir de um projeto-ação modelo, incentivamos novos valores, em que a arquitetura pode ser a mudança para uma cidade mais justa e participativa.

Nossa proposta se expande a partir do Largo Maestro Luiz Eulogio Zilli - e como uma homenagem ao grande maestro, fundador da primeira Jazz Band de Curityba, a revitalização do largo se transforma num vetor indicando a transformação. Colocamos o Curitibano em primeiro plano: um novo desenho de calçadas, mais agradável e acessível, inicia a mudança. A partir do redesenho do piso, uma atitude simples se desenvolve: o gesto de “levantar” a calçada, que através da continuidade, permite que a cidade possa - literalmente - ser vista sob um outro olhar. Com este ato, o largo se transforma em arquibancada, onde ao som de Jazz, os chorões se ligam à paisagem. A banca de jornais assume um papel de ponto de encontro sob os degraus, os bares e restaurantes da região ganham novos espaços para ocupar, os artistas do Sesc ganham mais uma esquina. Apresentações artísticas, projeções de filmes, sala de aula a céu aberto - as possibilidades são infinitas. Técnica e materiais convencionais são utilizados de uma nova forma, em que vigas metálicas são ao mesmo tempo a estrutura e a proteção, o telhado é a arquibancada, o paisagismo é a cidade. A partir do conceito de conexão, entre o Curitibano e seus caminhos, entre os diversos usos e seus espaços, entre a cidade existente com a cidade imaginada, nosso projeto mostra que é possível transformar pequenas ações em grandes mudanças.