EXPO 2017

Local: Curitiba, PR

Ano: 2017

Status: Exposição

Tipo: Curadoria

Equipe: N8Studio + Luisa Moraes + Sabine Valenga + Aloísio Schmid

“A forma importa. Não tanto a forma das coisas e sim a forma entre coisas.”

Stan Allen, Condições de Campo

Acionamos, assim, uma metodologia de projeto arquitetônico baseada no levantamento de perguntas ao invés da posição passiva de utilizar a disciplina da arquitetura como ferramenta de soluções a problemas pré determinados. Por que não uma arquitetura como processo, que especula possibilidades e que desafa o modo como nos envolvemos com nosso entorno?Mais do que uma simples tradução de um sistema para outro, inter-faces confguram os possíveis resultados de tal interação. Em uma analogia a McLuhan: interfaces não são nem quentes nem frias, elas se formalizam como operativas. Assim, interfaces nunca são neutras, mas colocam em evidência o posicionamento de quem as confgura.Estendendo a analogia proposta, arquitetos deixam de ocupar a posição de criadores com o privilégio de selecionar os problemas que solucionarão, mas assumem o papel de mediadores que atuam nas fronteiras entre múltiplas vozes, interesses, intenções e condicionantes do ecossistema urbano. Arquitetura como interface urbana seria um artefato material que não apenas reúne, mas que também confgura sistemas entre pessoas e o mundo em que vivemos: “Artefatos são interfaces, permitindo diferentes formas de envolvi-mento humano com o mundo, e igualmente permitindo que o mundo se envolva com o ser humano de forma diferente [...] O ser humano é inseparável dos ‘seus’ artefatos e desafado por eles e a Terra, enten-dida como incontáveis formas de vida interativas, também é uma protagonista ativa.”

Nas últimas décadas de discurso arquitetônico, a interface pública da arquitetura foi sendo lentamente reduzida a seu papel monumental — uma potente imagem simbólica do espaço coletivo ideal, público por natureza, baseado na memória de um passado — Arquitetura pública como uma Interface Potemkin. Enquanto isso, a própria consequência da construção das cidades se tornou sua ruína: a extensa urbanização deformou a cidade ao ponto de se tornar irreconhecível. Uma diluição de espaços que já não são públicos nem privados, domésticos nem coletivos — apenas o são. Estes espaços não podem ser descritos como inerentemente existentes em nossa sociedade. Eles são construções simbólicas que emergem dos confitos entre as próprias fronteiras des-tes sistemas, e nós arquitetos precisamos estar conscientes disso para podermos atuar.

Fotos: Gazeta do Povo