TOTAL RECALL

Local: Curitiba, PR

Ano: 2017

Status: Concluído

Tipo: Exposição

Equipe: N8Studio + Herminio Pagnocelli. Contribuição: Ana Luisa Lugnani Fernandes, Hesli Humeniuk, Jessica Luiza Bonetti, Anna Vitoria Isfer, Gabrielly de Souza Lima

Publicações: KooZA/rch

total recall: Curitiba como megalópole

A cidade está sempre presa entre a necessidade da mistura e o desejo por exclusividade. A representação deste paradoxo é o conflito entre os enclaves e o field - um campo infinito de condições arquitetônicas pontuadas por densos momentos de congestão. Propomos ver Curitiba não como uma metrópole, mas como megalópole: de seu projeto de centralidades à criação de ilhas de alta densidade em um mar de espaços genéricos. Ao questionar o que torna uma centralidade um ponto desejável, nos deparamos com o significado de espaço público: quais as suas formas? Um elemento arquitetônico é, em si, público? Através da classificação de tipologias, podemos redesenhar o espaço urbano, remixando tipos existentes - genéricos por natureza - de maneira específica, utilizando a arquitetura como a construção de novas formas espaciais, em múltiplos sentidos, públicas. A imagem que temos da cidade hoje não corresponde à cidade que construimos. O modelo de desenvolvimento polinuclear, por “centralidades”, imita o desenvolvimento tipológico da megalópole (em oposição ao centro único da metrópole), gerando a relação entre núcleos estruturados densos e o sprawl, interstícios de espaço urbano. Um exemplo deste modelo de desenvolvimento é o proposto pelo novo plano diretor de Curitiba. A cidade contemporânea — a megalópole — surge de um processo emergente (bottom-up) a partir de uma lógica estruturante própria — a (mega)quadra como organização da forma urbana. Ao ignorar esta lógica — ao se projetar as formas dos edifícios — temos como resultado o junkspace residual. Continuamos a projetar conceitualmente a partir da lógica da forma, quando na realidade, a condição urbana é guiada pela lógica do espaço. Propomos Curitiba não como uma metrópole, mas a partir do conceito de megalópole. Assim, devemos projetar para a Arquitetura Megalopolitana: híbridos compostos da relação entre forma e espaço. Projetar a partir da pergunta: Como a forma (arquitetônica, secundária) pode gerar o espaço (urbano, primário)? Como os desdobramentos da forma urbana em questões como densidade, programa, tipologia (etc.) podem influenciar o espaço urbano? Através da criação de um catálogo de estratégias urbanas, organizado pela análise de estratégias presentes em edifícios canônicos em outros contextos — e sob o ponto de vista das várias esferas do ser público — propomos um processo arquitetônico baseado no remix tipológico, em que novas tipologias híbridas geram não só a forma do edifício, mas o espaço urbano — de maneira coletiva e pública. Uma atitude both/and, inclusiva, ao invés da visão redutiva either/or. Este espaço é definido tanto pela história, política, economia como pela disciplina da arquitetura — fatores que tanto geram a forma quanto são gerados por ela, e compõem o catálogo de estratégias. Como objeto de teste desta hipótese, projetamos uma intervenção crítica na Rua da Cidadania do Carmo, uma das centralidades identificadas pela nossa pesquisa onde somente o processo convencional não seria suficiente para criar novas possibilidades de eventos. Com a aplicação do nosso catálogo de estratégias em edifícios tidos como públicos, mas que desperdiçam o potencial da sua coletividade ao se tornarem edifícios fechados em si, projetamos uma correção tipológica, com novas formas arquitetônicas que são responsáveis por criar novos espaços urbanos.

Fotos: Gazeta do Povo