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Em elegy for the vacant lot, Koolhaas define a independência entre forma e função. A lobotomia faz com que o edifício se comporte de uma maneira em relação a seu contexto, e de outra em relação à seu conteúdo. A partir do diagrama dos programas, um stacking de atividades, surge a forma mais básica da arquitetura, um prisma retangular, em que sua fachada e estruturas se fundem de maneira a estabelecer a articulação formal: uma torre que se desmaterializa no ar, que toca o solo quase que flutuando. A forma serve apenas como um contenedor de atividades internas, estabelecidas por estratégias tectônicas distintas, com espaços formados a partir de inúmeros exercícios de articulação arquitetônica - espaços clássicos, modernos ou contemporâneos, de Descartes à Paul Virilio. Com a desconexão entre forma e função, qualquer forma pode servir qualquer propósito, recebendo assim o conceito de híbrido como seu sistema fundamental: diferentes programas, públicos e privados, se interceptam formando inesperadas conexões, moldando espaços e repensando elementos arquitetônicos formais, construíndo eventos e sua interrelações. Ao se privilegiar o plano vertical em relação à planta, o edifício atua no nível de seus usuários, na tridimensionalidade das relações e na imprevisibilidade que com elas surge. Por não haver um programa definido, diversas opções são exploradas, ocupadas de acordo com o acaso, fazendo do híbrido uma metáfora da cidade em si mesma, porém aberta a seu contexto, influenciando e sendo influenciado pelo seu entorno nas diversas escalas, e convidando a cidade - com seus bons e maus exemplos - a tomar parte de seus espaços. Não se definem barreiras, mas como na cidade, os elementos definem seu caráter - como um parque a 100 metros de altura, estabelecendo uma perspectiva nunca vista, ou o térreo totalmente livre se tornando o centro de um sistema de parques e praças. O edifício não pretende ser uma resposta, mais do que uma ferramenta de permitir o imprevisível, em um exercício espacial que traduza a cidade contemporânea em sua fundação.

“People can inhabit anything. And they can be miserable in anything and ecstatic in anything. More and more I think that architecture has nothing to do with it. Of course, that’s both liberating and alarming.” Rem Koolhaas