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“No money, No detail” - A máxima adotada por Rem Koolhaas estabelece a base do conceito deste edifício. A Habitação Social no Brasil surge como uma forma de resposta ao déficit habitacional, especialmente para populações carentes. A escolha do mercado é a de extrair todas as qualidades arquitetônicas possíveis do edifício e entregar um objeto isolado na paisagem, sem atenção aos detalhes construtivos ou a qualidade espacial, de modo que, ao invés de contribuir para a formação digna da urbanidade, estes apartamentos se tornam obsoletos e equivocados, não atendendo às necessidades dos moradores. Com um orçamento bastante reduzido (cerca de 60% de um orçamento típico), não há dinheiro para malabarismos estruturais ou investimento em materiais atípicos. Cabe ao projeto arquitetônico estabelecer os espaços de maneira que o evento se torne mais importante que a envoltória. A arquitetura aqui, surge através dos vazios espaciais e não da tectônica de suas superfícies. Como não há possibilidade de ornamentação adicional, através do tratamento pictográfico das superfícies, suas cores e texturas, e a criação da paisagem através dos diferentes espaços e aberturas, os detalhes surgem junto da arquitetura, fazendo com que o edifício seja em si, sua representação. Com 7 unidades, o edifício conta com 4 tipologias de ocupação diferentes, servindo variadas opções de famílias e possibilitando ocupações distintas: unidade térrea com jardim interno, unidades de 2 e 3 quartos, e unidades com terraços externos. Como exigência do programa, as áreas privadas devem ser reduzidas - entretanto, isto libera a arquitetura para tomar forma através do vazio das áreas comuns do edifício. A recreação se confunde com o estacionamento, possibilitando a utilização de um grande pátio de eventos durante festas, a circulação tem seu caráter próprio, marcando e definindo ao mesmo tempo, a propriedade individual e o caráter coletivo agregador do espaços. O pátio externo e o jardim fornecem a ambientação necessária para que a aridez e a produção em massa comumente presente nesta tipologia seja eliminada, resultando em um edifício com caráter social e intimista, valorizando através da articulação de seus espaços, os eventos que definem o que é viver em sociedade, independente de renda ou classe social.