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O combate à segregação socio-espacial exige compreender a favela como fenômeno cultural. A favela se inventou e ainda se reinventa. Se historicamente ela é caracterizada pela “ausência” (do Estado, das instituições), o novo marco conceitual a entende como uma expressão da relação entre o homem e o meio, um fenômeno cultural e social. Resultado de um processo de segregação espacial, as favelas são ricas em paisagens compostas por múltiplas morfologias com variados caráteres, trajetórias e perspectivas. Propostas de intervenção sobre a favela devem contemplar essa estruturação sócio-espacial local, ou as redes que a estruturam e sua sustentabilidade. No entanto, mais do que desenhos, propomos um processo de construção da esperança através da presença continuada do Estado e das instituições, do enraizamento e, sobretudo, do constante aprendizado e intercâmbio. Um processo no qual a participação popular é elemento fundamental. O “ser sustentável” - uma existência em equilíbrio com o meio ambiente - é promovido a partir da abordagem sistêmica do metabolismo da favela, intervindo em pontos chave do fluxos de matéria e energia, e o reconhecimento das redes de relações espaciais e sociais existentes dentro da favela e desta com a cidade formal, identificando desenhos a serem reforçados e os que necessitam ser quebrados - estabelecendo limites toleráveis e intoleráveis de ocupação e comportamento. O “estruturar redes” - busca compreender a favela como um campo de constante geração de diversidade e criatividade na música, na arte, na arquitetura, na paisagem - estruturada pelos diversos nós de mobilidade e informação que reforçam desenhos e estabelecem limites, e às quais se sobrepões os condicionantes legais, ambientais e formais, analisados de maneira ponderada entre si.