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O senso de propriedade e identidade sobre a casa própria, bem como de pertencimento a uma comunidade, formam valores essenciais para o sucesso de habitações sociais, mas são cotidianamente negligenciados em grandes construções em série. Propomos uma alternativa à essa prática, considerando dois princípios fundamentais: a integração com o espaço urbano e a personalidade dos espaços interiores. Entender o edifício como uma vizinhança é fundamental em intervenções deste porte. Nossa proposta busca criar um território — laços entre os moradores e a comunidade em diferentes escalas de socialização e níveis de privacidade, que se dão nos espaços urbanos e públicos nos pilotis aos jardins coletivos. Liberdade e flexibilidade permeiam o campo privado, com o rigor funcional das áreas de serviço e a valorização da humanização dos espaços de permanência, acompanhando a evolução dinâmica das familias que os ocupam.

A arquitetura da cidade, como sistema de edifícios, não pode ser considerada isoladamente. Nossa proposta cria um sistema de unidade de vizinhança em que o vazio - o espaço comunitário, de encontro - se transforma em catalisador urbano. A proposta cria relações com a cidade em várias escalas, do térreo fluido que se abre à cidade e faz parte do sistema paisagístico de áreas livres, valorizando os programas coletivos nos 5 edifícios- aos vazios coletivos e às sacadas no interior do edifício, que conectam através das diversas escalas os moradores ao terreno. A criação de 5 edifícios formalmente idênticos, porém com variações de materialidade, dá a proposta uma unidade conceitual em que o térreo se adapta aos diferentes terrenos respondendo às questões de acessibilidade e permeabilidade, imprimindo um caráter único para cada edifício dentro de um sistema integrado e racional.

O paradoxo entre uma legislação restritiva e a dinâmica do programa nos leva a valorizar a flexibilidade dos espaços de permanência, a partir da eficiência de uma modulação regular. Criamos um núcleo fixo construtivamente eficiente que concentra as áreas úmidas e de circulação no interior do edifício, liberando seu perímetro para absorver a variedade de tipologias apropriadas às diferentes estruturas familiares - permitindo que os moradores possam ajustar e modificar seus espaços no tempo, respondendo às necessidades individuais. Quartos podem se transformar em áreas de trabalho, sacadas em expansões de aposentos - sempre mantendo a funcionalidade a partir do núcleo fixo. Para além da escala do individual, espaços coletivos absorvem programas como um jardim público e um playground para as crianças, valorizando o senso comunitário de pertencimento dos moradores em relação ao seu prédio. materialidade e tectônica