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A proposta para o Centro de Cultura Pop de Curitiba visa extrapolar a produção e o consumo de bens culturais da cidade. Localizado no São Francisco, bairro que atualmente concentra a maior parte das manifestações locais, o Centro complementa equipamentos existentes na região, como a Cinemateca de Curitiba e o Teatro Novelas Curitibanas. Além disto a proposta toma partido da intensa movimentação noturna de bares da região, permitindo o desenvolvimento de atividades durante dia e noite. O conceito básico do museu surge da adição de quatro elementos: a sala branca e neutra proposta por Le Corbusier para expor arte, o percurso de Frank Lloyd Wright no Museu Guggenheim, a capitalização da arte do período pós-moderno e o espetáculo e interatividade da era da informação. As salas de exposição são conectadas por rampas e escadas formando um percurso contínuo que envolve uma galeria que atravessa a quadra, permitindo que os pedestres vislumbrem as exposições, como se olhassem vitrines numa galeria de lojas. A sobreposição de rampas e salas expositivas cria espaços intersticiais, conferindo complexidade e fragmentação ao edifício e permitindo que a luz natural chegue em todos os pavimentos. Por fim, todo edifício é envolvido por uma pele de LED, uma camada que permite ao edifício externar suas atividades ou alienar seu interior, servir como meio de informação ou como ornamento, expressão do espetáculo pós-moderno ou agente essencial da era do hipertexto. O Centro conta com três salas de exposição, área de depósitos, área administrativa, café e loja, essenciais para a capitalização proposta, um auditório flexível e ateliers para produção de produtos artísticos. O auditório conecta duas salas de exposição e é aberto, podendo ser separado apenas por uma cortina, reforçando o caráter participativo. Este espaço pode ser reconfigurado para funcionar como área de exposição. O atelier, localizado no subsolo, permite que transeuntes no nível da rua observem o processo criativo. Esta área também é flexível, podendo servir como espaço de exposição ou como outro auditório. O projeto conta com dois acessos independentes, um por cada rua, e sua disposição permite que salas sejam fechadas sem prejudicar a visita. Desta maneira o pavimento de ateliers pode ser fechado para um curso, por exemplo, enquanto o pavimento do auditório pode ser usada para inauguração de exposições fechadas. Estruturalmente o edifício é separado em duas partes. A primeira, sob a galeria, funciona com um sistema de pilares de concreto comum. A segunda parte é composta por uma série de pórticos apoiados de um lado no núcleo de serviços e de outro em uma parede estrutural, vencendo um vão de quinze metros. Estes pórticos suspendem, através de tirantes, as lajes de duas salas de exposição e do auditório, livrando o espaço da galeria de estrutura.